PESSOAS TÓXICAS

Estamos vivendo um momento onde se ouve muito sobre “pessoas tóxicas”, provavelmente você já viu ou ouviu essas duas palavrinhas circulando pelas redes sociais, sendo usadas para definirem pessoas que emanam alguma característica negativa no dia-a-dia. Assim, a expressão de ordem no momento se tornou:

– Se afaste das pessoas tóxicas!

 O alerta indica que desta forma você conseguiria ter uma vida saudável, principalmente no que se refere ao campo emocional.

Em parte, eu acho ótima a ideia de me afastar de pessoas que carregam com elas algumas atitudes/energias negativas e que não expressam vontade de mudarem, no entanto, percebo que há certo equivoco quando passamos a reparar mais nos outros do que em nós mesmos, afinal, é bem mais fácil julgarmos os outros do que olharmos para o nosso íntimo e reconhecermos que nós, em algum momento de nossas vidas, também já fomos pessoas tóxicas na vida de alguém.

Muitas vezes sem querer, por falta de maturidade, por uma perspectiva equivocada, por “N” motivos. William P. Young diz que “não é só de propósito que as pessoas magoam umas às outras. Na maioria das vezes, elas simplesmente não sabem agir de outra forma. Não sabem ser algo diferente, algo melhor.”

Não quero dizer que devemos insistir em relações que nos fazem mal pelo fato de que nem sempre o tal mal é proposital e consciente, ao contrário, em alguns contextos há que se “acabar com o mal pela raiz”, mas reflito sobre o fato de que todos erramos, magoamos e somos magoados. O foco principal é que consigamos perceber que as diferenças nem sempre indicam toxicidade, tampouco, há fórmulas mágicas capazes de solucionarem conflitos de uma mesma forma. Além disso, nem sempre estamos corretos quando avaliamos que a toxicidade está nos outros.

Não há problema em errar, pessoas erram e não temos um guia básico de “como viver e conviver sem cometer erros”, relacionamentos são complicados e, quando digo relacionamentos me refiro à muito mais do que uma relação amorosa. Convivência é relacionamento e relacionamentos são complexos.

Lidar com as complexidades que envolvem os relacionamentos requer que nos conscientizemos de que cada ser humano é de um jeito e traz a sua visão de mundo. Às vezes enxergamos 6 e a pessoa do outro lado enxerga 9, faz parte. Quanto mais aprendermos a respeitarmos as diferentes origens e opiniões, mais nos adaptaremos às convivências.

Não se trata de dizer o que fazer, se trata de compreender que pessoas erram, inclusive você, eu, os outros. Pessoas tóxicas são pessoas que foram intoxicadas através de relacionamentos, adubadas com desconfianças, mágoas, frustrações, raivas, faltas de escutas. A falta de sentimentos bons e a falta de cuidados com as sementes gera plantas doentes e, muitas vezes, nocivas, mas nem sempre sem soluções.

Não se trata de apenas apontar os dedos, as pessoas tóxicas podem se desintoxicar, embora precisem antes aceitarem que emitem esta toxicidade. Isso significa que elas precisam querer esta desintoxicação, o que requer que se percebam, que amadureçam, que queiram iniciar processos de mudanças. Mas, para isso, cada um tem o seu próprio ritmo.

Não é questão de curar pessoas, não temos este poder, não conseguimos desintoxicar pessoas, mas podemos mostrar que sempre é possível semear uma versão melhor do que fomos e somos. Se trata de observarmos até que ponto temos condições de auxiliarmos, ao invés de simplesmente nos afastarmos.

Há casos em que atitudes simples podem contribuir para que outras pessoas repensem e reformulem suas posturas e, nestes casos, aprendemos uns com os outros, compartilhamos experiências capazes de semearem algo de bom nos outros e, por consequência, recebemos algo de bom dos outros.

Se algo que estiver ao nosso alcance puder ser feito em prol de contribuir com os outros, que o seja, é o que gostaríamos que fizessem por nós!

Por Paloma Almeida

Pedagoga, influenciadora do comportamento resiliente e colunista da Jeito em Gestão – conteúdos on-line.

6 Comentários de

  1. Excelente texto! Maravilhosa reflexão..
    As pessoas que emitem essa toxidade, vem de uma trajetoria de vida muitas vezes desconhecidas e que a pessoa que mais sofre no intimo é ela mesma..
    Parabéns Paloma, sucesso!

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