FEEDBACK

Após ter participado de um grande evento com objetivo de debater o desenvolvimento de líderes eficazes de acordo com os novos parâmetros do mercado e, por acompanhar o nosso mercado de trabalho e perceber tantas diversidades, me pergunto até quando algumas organizações ainda insistirão em manter velhos paradigmas, negando uma realidade tão explícita e tão simples no que diz respeito à gestão de pessoas.

Que vivemos tempos de mudanças constantes, em um mercado dinâmico, imprevisível e turbulento, as organizações conseguem compreender. Também já aprenderam que as pessoas precisam ser proativas e multifuncionais, trabalhando em equipe e produzindo melhores resultados. As teorias, não raramente, são repetidas por “gestores” que assumem postura de líderes bem sucedidos com intenção única de vender suas marcas como empresas que se preocupam em desenvolver as pessoas. Mas a verdade é que nem sempre a imagem que estes “gestores” vendem é condizente com a realidade e isso faz com que algumas notícias envolvendo os tribunais venham à tona, servindo de exemplo e de reforço sobre a importância da área.

Em recente notícia divulgada pelo Tribunal Superior do Trabalho, uma operadora de call center TNL Contax S.A., após ter tido sua avaliação de desempenho exposta no ambiente de trabalho, recebeu o direito a indenização em decorrência do assédio moral. Este é apenas um exemplo de mau uso das metodologias e técnicas de gestão de pessoas, que quando mal utilizadas produzem resultados extremamente negativos, além de prejuízos financeiros.

Enganam-se aqueles que acreditam que o simples fato de ter uma empresa os faz líderes, enganam-se aqueles acreditam que o simples fato de ter subordinados os faz gestores. Utilizar sistemas de avaliação de desempenho não é apenas apontar erros alegando ser isso o feedback.

Para que um profissional receba feedback é necessário que haja clareza nos processos, para que uma organização utilize sistemas de avaliação de desempenho é necessário cumprir uma série de etapas, mas alguns falsos líderes insistem em disseminar a ideia de que feedback é simplesmente dizer o que querem, quando querem, para quem querem e como querem.

Enquanto isso, os verdadeiros profissionais seguem promovendo o bom uso das metodologias e ensinando um pouco daquilo que muitos afirmam já saber, mas poucos comprovam por meio de atitudes: “o valor está em oferecer o conhecimento certo, para a pessoa certa, na medida certa, no momento certo, pela razão certa, da maneira certa”, afirmação baseada em Aristóteles, adaptada por Eduardo Carmello, que traduz com simplicidade como os líderes deveriam agir, muito antes de pensar em feedback.

Patrícia Rezende Pennisi – CRA/SP 6-002583

Especialista em gestão estratégica de pessoas, professora universitária e diretora da Jeito em Gestão – conteúdos on-line.

Deixe um Comentário