DEU SAUDADE!

Durante esses poucos dias de quarentena comecei a fuçar os títulos dos poucos livros que ainda guardo comigo (sempre gostei da ideia de ir até a biblioteca municipal e escolher algo do meu interesse e, após a leitura, dar a oportunidade para outras pessoas fazerem o mesmo), mas confesso que algumas histórias me cativaram com tanta força que simplesmente não consegui me desfazer. Guardo comigo um pouco mais de oito títulos, no entanto, existe uma história que é sem dúvida a minha favorita, a história de um jovem príncipe que tinha a necessidade de um amigo.

Não tenho a intenção de contar aqui o seu enredo, apenas farei algumas reflexões com partes da sua narrativa, mas deixo como sugestão de leitura esta obra, que carrega o título de “O Pequeno Príncipe” e é de autoria do escritor Antoine de Saint Exupéry, publicada em 1943. Uma publicação que conseguiu atingir os mais variados públicos com sua narrativa cativante e uma forma simples de abordar questões filosóficas.

A obra tem como protagonista o próprio escritor, que relata as suas experiências após uma pane no deserto, situação que lhe possibilitou conhecer um principezinho. Durante sua narrativa o autor confessa como pouco a pouco foi deixando de lado conceitos pessoais para se encaixar em uma sociedade de “pessoas sérias”. O Pequeno Príncipe é a personificação de uma criança com toda a sua ingenuidade e curiosidade tentando compreender o mundo complexo que os adultos construíram, e este sábio rapazinho acaba confrontando algumas questões importantes.

Não desejo que o que aqui escrevo seja visto como verdade absoluta, pelo contrário, gostaria que cada um fizesse a sua reflexão acerca do tema tratado, afinal, esta história é tão extraordinária, de uma maneira atemporal, que ela consegue se encaixar em muitas situações.

Na perspectiva que tento encaixá-la vejo que o enredo nos mostra que valores importantes estão sendo deixados para segundo plano, ou até mesmo sendo esquecidos, vejo uma sociedade cada vez mais se preocupando exageradamente com o trabalho, bens materiais, contas, status social, “coisas sérias”, como refere-se o narrador. Mas aí alguns de vocês podem pensar: – “Ora, mas devemos pensar nessas coisas”, e sim, tenho que concordar, precisamos nos preocupar com essas coisas, mas parece que deixamos de apenas só nos preocupar, começamos a viver somente para elas.

Percebo que embora a obra tenha sido escrita há um tempo consideravelmente longo, cada vez mais na atualidade nos deparamos com os problemas levantados por Antoine, o que afirmo após analisar as descrições feitas pelo autor, que expõe as inúmeras faces do homem contemporâneo nas viagens do principezinho aos planetas desconhecidos, como por exemplo: a visita ao planeta do vaidoso, um homem que não enxergava nada além de ele mesmo, onde sua única preocupação era ser admirado, ou ainda, a visita  ao planeta do homem de negócios, um indivíduo ganancioso que só se preocupava com o seu trabalho, pois queria ser rico.

O principezinho também visitou um rei que acreditava possuir tudo e todos, sem saber muito bem para o que aquilo lhe servia, o planeta do bêbado, que retrata um homem tomado por seus vícios, vivendo uma vida triste e solitária. Dentre outros planetas, enfim, a Terra, que na visão do jovem Príncipe possui bilhões de vaidosos, reis, homens de negócios, bêbados, bilhões de pessoas sérias, que parecem pouco a pouco estarem esquecendo o que de fato é valioso, a importância do ser e não só do ter.

Inevitavelmente nós nos tornamos pessoas sérias, ocupadas demais, mas não por maldade, no entanto, o nosso momento atual nos faz olhar as coisas como jamais deveriam ter deixado de ser vistas, o abraço que antes parecia algo simples, deu saudade; a caminhada pela manhã em um dia ensolarado, deu saudade; o se reunir com os amigos em um fim de tarde para gargalhar, deu saudade. Aproveitar a vida voltou a ser prioridade.

De repente as coisas mudaram e percebemos a fragilidade da vida, notamos que as vezes não somos tão gratos como deveríamos ser e, espero que em um futuro não tão distante muitas lições sejam aprendidas, e que notemos de uma vez por todas, que os pequenos momentos não são tão pequenos assim.

Por Paloma Almeida

Pedagoga, influenciadora do comportamento resiliente e colunista da Jeito em Gestão – conteúdos on-line.

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