DE TUDO QUE FICOU DAQUILO QUE SE FOI

Num ano completamente atípico, em que muitas coisas inesperadas aconteceram, creio que entraremos em consenso se dissermos que está sendo bastante difícil. Pessoas perderam seus empregos, adoeceram, tivemos que nos afastar, evitarmos contatos físicos, vivermos em isolamento, cumprindo a famosa quarentena, que ao contrário do que muitos pensam, não significa um período de 40 dias de reclusão. Reclusão, sim, mas não necessariamente por 40 dias.

Reclusão e isolamento, privação e afastamento, logo para nós, seres humanos, que pregávamos a necessidade do convívio social como sendo parte fundamental de nossas vidas. Logo para nós, que víamos no abraço apertado uma fonte inesgotável de força, o remédio para as nossas fraquezas, pra mente, pra alma.

Nos proibiram o convívio, solicitaram o isolamento, fecharam muitas portas, tudo em prol do bem coletivo, tudo com foco em lutar contra um inimigo que ganhou muitas das batalhas que surgiram no decorrer destes 12 meses inusitados. Um inimigo que não estávamos prontos para enfrentar e que não apenas tumultuou a vida financeira de muita gente, não apenas impôs a saudade do abraço e da convivência, mas também provocou a morte de entes queridos, amigos, conhecidos e desconhecidos, o inimaginável aconteceu.

Aconteceu e, provavelmente, em algum dos momentos da vida de cada um de nós, pensamos que este seria um ano para esquecermos, anularmos, descartarmos. Um ano efêmero, que certamente não consideraríamos em nossas melhores lembranças. Por meses foi assim que me senti! Mas mudei de ideia…

Mudei de ideia e hoje percebo que, ao contrário do que pensava, 2020 é um ano para me lembrar. Quero me lembrar que o caminho não foi fácil, ainda não é, mas esquecer de toda a luta que me trouxe até aqui seria como negar a importância da resiliência.

Temos mania de querermos esquecer aquilo que nos fere de alguma forma porque é difícil levar golpes, sangrar e se recuperar, ninguém consegue voltar ileso depois de tudo isso, e nem deveria. Este é o significado do termo resiliência, assim nos tornamos mais fortes, pois é assim que aprendemos coisas novas e desenvolvemos novas habilidades, é assim que nos adaptamos àquilo que não temos o poder de alterar e nos machuca.

Claro que não desejei tanta tragédia, óbvio que se pudesse escolher, escolheria nunca ter vivenciado a pandemia de COVID-19 que nos assola, mas uma vez que não me foi dada outra opção, hoje penso que 2020 não merece ser cancelado da minha história, da sua história, das nossas histórias, porque mesmo em meio a tantas tristezas, nós resistimos!

Se resistimos e estamos aqui é porque ainda temos algo a contribuir com o mundo, daí me veio a ideia de reconsiderar a minha visão e de compartilhar algumas reflexões por meio deste artigo. Dificilmente a gente consegue evoluir sem levar alguns sacodes da vida, o amanhã é o resultado do nosso esforço de hoje e, apesar dos pesares, quando olhamos para trás, temos condições de observarmos o quanto, e se, evoluímos.

Quando fazemos este exercício percebemos que a vida flui em descompasso àquilo que desejamos, mas que somos capazes de optar pelo enfrentamento e, que a cada enfrentamento ressurgimos mais fortes. Não está relacionado às circunstâncias, mas ao modo como lidamos com as circunstâncias impostas e sobre as quais não temos nenhum controle.

Quando descobrimos que só temos autonomia para controlarmos o modo como nós agimos e reagimos, passamos a respeitar o tempo, as fases, e a enxergarmos que mesmo em meio às maiores dificuldades é possível encontrarmos motivos para agradecer. E a gratidão não se refere somente a agradecer as coisas boas da vida, mas também em reconhecer que em todas as situações é possível extrairmos aprendizados e evoluirmos. Trata-se de um combustível para a sanidade mental.

Talvez você não concorde com isso agora, e está tudo bem. Não tenho a intenção de te fazer mudar de ideia, minha intenção aqui é apenas de promover uma reflexão e de compartilhar a minha caminhada durante um período tão penoso.

Te peço apenas um favor, repense 2020 e tente elencar por quantas vezes achou que sucumbiria, que não tinha mais motivos para lutar, mas continuou, seguiu o seu caminho, ainda que meio perdido, mas seguiu. Verifique quantas vezes conseguiu sorrir, ainda que um sorriso acanhado, mas sorriu.

A vida não é feita de grandes acontecimentos, mas de um conjunto de pequenos momentos, de detalhes corriqueiros e que muitas vezes passam despercebidos. Todos os dias recebemos pequenas grandes dádivas, que eu não ousaria mencionar exemplos, pois cada um as enxerga de acordo com os seus valores. Mas podemos acordar que estarmos vivos, estarmos aqui hoje é, sem dúvidas, um bom motivo para sermos gratos.

E sobre 2020? Esse ano merece ser lembrado por tudo que ficou daquilo que se foi!

Por Paloma Almeida

Pedagoga, influenciadora do comportamento resiliente e colunista da Jeito em Gestão – conteúdos on-line.

4 Comentários de

  1. Concordo que 2020 foi um ano difícil, um ano para pensarmos no tempo, aquele que sempre fala vamos que não tínhamos RS. Eu penso que 2020 foi um recomeço , pois fiz das dificuldades oportunidades e sim tive boas experiências e novas formações em meu currículo , pude estar mais perto de quem amo e conhecer novas historias . que 2021 seja repleto de novas possibilidades e muita esperança de um futuro melhor .Bj minha linda e obrigada por nos incentivar sempre com suas falas .bjs feliz 2021 muito sucesso.

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