BEM-VINDO AO FUTURO!

Somos um país com 13,2 milhões de desempregados, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em maio de 2019. Um número assustador, que superou o índice referente ao trimestre anterior com uma alta de 4,4% e se manteve semelhante em relação ao mesmo período de 2018. Estes números têm diferentes explicações assinadas por especialistas de diversas áreas e incluem questões socioeconômicas, políticas e, de alterações nas relações de trabalho.

Estas alterações nas relações de trabalho são as únicas que incluem condições que podem ser controladas por indivíduos isolados, por meio de atividades em busca de desenvolvimento profissional. Num passado não tão distante, cerca de 30 anos atrás, quando assuntos como a globalização, a competitividade, o desenvolvimento dos sistemas de comunicação e de informação e, o aumento de exigências relacionadas à criatividade e à inovação, ainda não eram tão comuns, era possível pensar nestas atividades aceitando os sábios conselhos dos mais velhos, que, normalmente, nos orientavam a concluir o 2º grau e a obter titulação em uma faculdade, a fim de obter um bom emprego.

Em 2019 isso não basta. Entre os 13,2 milhões de desempregados há muitas pessoas que fizeram faculdade, têm experiências e dominam alguns conteúdos, mas continuam desempregadas, comprovando que não basta. O desenvolvimento profissional é tema cada vez mais comum e, por mais que muitos prefiram se manter cegos em relação à revolução industrial 4.0, que explica detalhadamente os momentos que estamos vivendo, consta unânime entre as principais referências que estudam as tendências para o mercado de trabalho a necessidade de expansão das competências individuais considerando a tecnologia como principal motor na evolução das relações de trabalho.

O “the future of jobs report”, relatório publicado pelo fórum econômico mundial, revela que há expectativas positivas para o futuro destas relações, com a criação de 133 milhões de novas funções até 2022, mas ressalta que estas funções serão diferentes daquelas que conhecemos hoje e exigirão cada vez mais conhecimento das pessoas, a fim de que sejam consideradas aptas a exercerem atividades de trabalho que envolvam humanos, máquinas e algoritmos.

Cargos como assistentes virtuais, analistas de dados, cientistas de dados, desenvolvedores de aplicativos e de softwares, especialistas em mídias sociais, em comércios eletrônicos, em inteligência artificial, em machine learning, em big data, engenheiros blockchain e, analistas de segurança, são apenas alguns dos exemplos possíveis quando pesquisamos sobre as profissões do futuro, que já começou. Neste futuro, que já vivemos, encontramos um recorde de pessoas subutilizadas, categoria que engloba aquelas pessoas consideradas mão-de-obra desperdiçada. No Brasil este índice é formado por 28,4 milhões de pessoas e é o maior desde 2012.

Com tudo isso, de acordo com o IBGE, o número de pessoas que trabalham por conta própria cresceu 4,1% em relação ao mesmo trimestre do ano passado e alcançou 23,9 milhões de pessoas. Estas pessoas enxergaram no empreendedorismo a solução para se tornarem úteis e deram as boas-vindas ao futuro, se desenvolvendo profissionalmente e, tentando encontrar equilíbrio diante de tantas adversidades.

E você? Já se deu conta de que o futuro chegou e está de olho em suas competências e em seu desenvolvimento profissional?

Patrícia Rezende Pennisi – CRA/SP 6-002583

Especialista em gestão estratégica de pessoas, professora universitária e diretora da Jeito em Gestão – conteúdos on-line.

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