ALTA PERFORMANCE: VOCÊ NÃO É OBRIGADO!

Existem atletas que nunca chegarão ao topo, mas continuam treinando. Por que fazem isso?

Estariam eles se autossabotando? Se autoboicotando?

Seriam eles pessoas de pouca fé? Cujo apego a Deus está longe de ser considerado suficiente para mover seus resultados?

Ou ainda, seriam pessoas cujo mindset está mal programado e necessita de ressignificação para superarem os obstáculos que os impedem de chegar aos pódios?

Ahhh, já sei! Talvez sejam pessoas que não se esforçam ao máximo para alcançarem bons resultados, falta-lhes disciplina, foco e determinação. Muito embora, a maioria dos atletas, independentemente de modalidades de esportes, costumem dedicar, no mínimo, três a quatro horas diárias de esforço físico e psicológico para serem capacitados e se tornarem aptos a participarem de competições.

E aí? Qual o motivo de tantos e tantos atletas continuarem treinando dia após dia, investindo tempo e dinheiro nestes treinos e em competições, se não alcançarão o topo da carreira?

Você sabe me responder?

Pode até ser que você me responda que não, mas, garanto a você, que muita gente já elaborou respostas completas e com as devidas justificativas e, poderiam me explicar detalhadamente os porquês disso tudo.

Alguns explicariam isso com base em teorias da psicologia, alegando que o emocional impede essa gente de expandir e crescer nas competições; outros alegariam que a falta de fé é responsável por todos os resultados ruins que uma pessoa possa ter em qualquer coisa para a qual se dedique; há aqueles que diriam que é falta de apoio familiar; mas há também, aqueles que diriam que o indivíduo é ruim. Isso, assim, deste jeitinho: – Aquele cara lá? Iiihhhh, nem adianta tentar, aquilo lá é ruim mesmo!

Mas a ideia aqui não é determinar as causas dos “maus” resultados de um grupo de atletas. Não se trata de um estudo científico ligado a cursos que visam desenvolver teorias sobre o mau desempenho dos atletas. Ao contrário, a ideia aqui é tratar de um grupo de pessoas que vêm sendo cada vez mais massacradas diante de tantas cobranças por desempenho de alta performance.

Já ouviu esta expressão? A L T A   P E R F O R M A N C E. Bonita, né?

Além de bonita, esta também é uma expressão que vem tirando o sono de muita gente. Isso porque a cada dia, mais e mais pessoas aprendem a falar este nome bonito aí, mas nem sempre se preocupam em estudarem os verdadeiros significados disso tudo. E acredite, seu significado é muito mais amplo do que se pode imaginar.

Pra começar, se uma pessoa QUER ter alta performance ela precisa passar por longos processos de planejamento e uma profunda preparação, que incluem muito mais que apenas treinos diários, fé em Deus, apoio familiar, técnico, mudança de mindset, inteligência emocional, disciplina, foco, determinação, …, …, …, …, …, …, …, …, …, …, …, …, …, …, …, …, …, …, …, …, …, …, …. Notou que eu disse “pessoa que QUER”? Sim, eu não disse que para uma pessoa ter alta performance blá, blá, blá. Eu disse pessoa que QUER! E é aqui que está o foco do meu questionamento.

Ao pensar em uma resposta sobre o porquê de alguém não alcançar o topo, seja no esporte, ou não, RARAS, RARÍSSIMAS pessoas se apegam ao fato de que nem sempre as criaturas estão interessadas em alcançarem este topo, no esporte ou em suas vidas profissionais. Só que quase sempre são cobradas como se tivessem a obrigação de quererem sempre atingir o ponto máximo daquilo para o que se dedicam. Algumas vezes a cobrança é tão intensa, que aqueles que se sentem pressionados aprendem a agir como se fossem sempre ruins, os retardatários. É algo assim: – Ha ha há! Olha lá, lá vem o perdedor de novo, não se cansa de passar vergonha…

Aí aquele carinha que sempre se dedicou aos treinos/trabalhos diários, mas que curtia participar das competições para melhorar 1 ou 2 segundos no seu tempo; para ultrapassar apenas aquele coleguinha que sempre estava a sua frente, mas nem era o melhor da categoria; ou se sentia vencedor por estar dentro da corrida; ou em meio ao campo, mesmo que sem fazer gols; se frustra! E se molda, e adoece, e desiste.

O carinha que estava ali era feliz em superar aquilo que para ele era um bom resultado, não sabia, mas ele tinha sucesso. Tinha o que era sucesso para ele, porque a cada superação ele experimentava o que vinha depois daquela situação que já conhecia, se sentia vencedor de seus próprios medos, de suas limitações e isso o fazia VIVO. Porque a palavra sucesso vem daí, desta ideia, do latim succedere, que indica o depois, o seguinte, num ato de movimento, de deslocamento.

Ele tinha sucesso e era feliz, mas não tinha alta performance, pois não se interessava por isso!

Ele queria treinar e continuar competindo, porque isso o bastava, mas alguém, ou muitos alguéns, o fizeram acreditar que isso não era suficiente, que tinha que atingir o topo. Então, desistiu de treinar/trabalhar, desistiu de se superar, desistiu de tentar, desistiu de si. Porque aquilo que tem significado para um grande número de gente que aprendeu a cobrar dos outros aquilo que MUITAS VEZES nem atingiu para si, não tinha significado para ele.

Deixou de ser feliz, deixou de ter sucesso e nunca teve alta performance, mas se moldou, adotou um discurso mais aceito e passou a fazer de conta que estava em busca de seu verdadeiro talento. Agora sim, está certo!

Respondendo, enfim, por que existem atletas que nunca chegarão ao topo, mas continuam treinando? PORQUE ELES QUEREM! E ISSO DEVERIA BASTAR!!!

Patrícia Rezende Pennisi – CRA/SP 6-002583

Especialista em gestão estratégica de pessoas, professora universitária e diretora da Jeito em Gestão – conteúdos on-line.

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