A GENTE SANGRA!

Falem sobre nós, falem muito sobre nós, mas não queiram lacrar nos usando!

Não farei um texto dizendo porque devemos lutar contra o racismo, porque isso você já deveria saber e se a história não te fez enxergar isso, não serão os meus argumentos que o farão.

A questão aqui é saber se você só fala sobre a nossa luta ou se você também tenta viver esta nossa luta.  São coisas totalmente diferentes…

Você faz aquilo que diz?

Pense um pouco a respeito.

Não quero te ensinar história, mas é importante reforçar que se você não foi capaz de aprender com ela, provavelmente está fadado a repeti-la.

– Ah Paloma está dizendo que vamos voltar aos tempos da escravidão, inclusive com chibatadas?

– Pra você voltar a estes tempos é só ver pessoas negras algemadas apanhando ou chegando em grandes embarcações para serem comercializadas?

Aí está um grande problema, porque você também “chicoteia” uma pessoa negra quando critica a sua pele, o seu cabelo, os seus traços. Critica quando tem falas racistas, quando olha torto para ela andando pela rua, quando nega uma vaga de trabalho em qualquer segmento.

E ela sangra, nós sangramos.

Sangramos porque sabemos identificar com muita facilidade quando as nossas origens são julgadas.

Sangramos porque sentimos a dor do descarte feito por puro preconceito.

Sangramos mesmo que você não use os velhos e conhecidos chicotes.

O racismo velado está enraizado em camadas tão profundas que muitas pessoas continuam cultivando estas sementes sem nem notarem, quando deveriam. Os semeadores não se sentem atingidos, não são tocados pelas dores que nos arrancam sangue sem que seja necessário nem mesmo nos tocar.

O racismo velado ainda circula em nossa sociedade e, vez por outra, ele explode na superfície e choca, ele explode como se quisesse ressurgir. Mas não, ele não está ressurgindo, ele nunca deixou de existir, a diferença é que agora ele é filmado, a diferença é que agora você pode ver aquilo que nunca deixamos de enxergar. Entenda, você, não nós!

Nós sempre estivemos aqui observando, sangrando e convivendo com tudo isso que agora o seu celular te mostra. Esta ajuda nos foi dada pelos avanços da tecnologia, não por você que segue aquilo que os artistas publicam a fim de se tornarem os lacradores do século XXI.

Será mesmo que se importam?

Para nossa esperança sim, alguns, artistas ou não, realmente se importam e se manifestam a respeito munidos de um desejo de mudanças reais. Realmente alguns se importam e disseminam conteúdos capazes de fazerem com que outros reflitam com mais afinco.

Mas estes que se importam falam sobre nós, usam as nossas lutas, expõem as nossas lágrimas e mostram o nosso sangue com real intenção de te mostrar que precisamos respirar.

Talvez chegue o dia em que deixaremos de sangrar, mas não hoje!

Por Paloma Almeida

Pedagoga, influenciadora do comportamento resiliente e colunista da Jeito em Gestão – conteúdos on-line.

4 Comentários de

  1. Paloma é ótima, feliz por suas visões, perspectivas, por pensar fora da caixinha, assim ajudará pessoa a pensar sem as limitações das ideologias de hoje

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